A grande caminhada da lendária Seiko.
Hoje é dificil falarmos em relógios, calibres, linha de produção sem falarmos da Seiko.
Para entendermos um pouco mais sobre essa grande marca, trago hoje um pouco da longa trajetória de desenvolvimento de calibre da grande Japonesa.
Espero que gostem...

A Evolução dos Calibres Automáticos Seiko: Do 11A ao 9SA5
Poucas marcas na relojoaria têm uma história de engenharia tão longa e tão própria quanto a Seiko. Enquanto boa parte da indústria suíça terceiriza seus movimentos (ETA, Sellita e companhia), a Seiko sempre fez questão de projetar e fabricar seus próprios calibres — do relógio mais simples do Seiko 5 ao topo de linha da Grand Seiko. Neste post, vamos percorrer essa linhagem cronologicamente, entendendo como cada geração resolveu os problemas da anterior.
A era pioneira (1955–1960s)
Tudo começou em 1955, com o calibre 11A (também chamado de "290"), o primeiro automático da marca — inspirado no suíço AS 1382, com 17 ou 21 rubis.
Nos anos seguintes vieram as linhas 6xx (394/395/400/603/6200) e o 830/840/8300, desenvolvidas pela Suwa Seikosha. Eram calibres de 28–29mm, robustos, que equiparam o Seikomatic e a linha "Business", chegando a até 39 rubis nas versões mais elaboradas.
Consolidação e o nascimento dos divers (1965–1969)
Em 1965, a Seiko lançou o calibre 6217, coração do lendário "62MAS" — o primeiro relógio de mergulho japonês, resistente a 150 metros.
Logo depois vieram duas famílias que se tornariam quase sinônimos da marca:
Linha 61xx (6106/6119, 1967–1969): talvez a linha automática mais icônica da Seiko. Equipou o Seiko 5 em escala massiva, com balanço de grande diâmetro e um sistema automático modular, fácil de desmontar. Não é exagero dizer que muitos colecionadores consideram o 6119 o calibre mais confiável já feito pela marca.
Calibre 6105 (1968): a segunda geração de diver profissional, que ficou eternizada no pulso do Capitão Willard em "Apocalypse Now".
E em 1969, um marco histórico: o calibre 6139, o primeiro cronógrafo automático do mundo — a Seiko venceu a corrida contra o Zenith El Primero e o consórcio suíço Chronomatic. Décadas mais tarde, uma variação dessa arquitetura chegou a influenciar o próprio Rolex Daytona.
Racionalizando o projeto (1969–1980s)
Ainda em 1969, a Seiko apresentou o calibre 7005, um redesenho completo do sistema automático: menos peças, mais fino (4,50mm contra os 5,15mm do 6119) e muito mais fácil de montar e revisar. Esse calibre é o "avô" de toda a família 70xx (7002, 7006, 7009, 7016), que se tornou o padrão da marca nas décadas de 70 e 80, enquanto os mecânicos perdiam espaço para o quartzo.
Em 1976, a linha 63xx trouxe uma modernização da 61xx, com ajuste de calendário girando a coroa em vez de pressioná-la (e até uma versão com fase da lua, o 6347).
O padrão moderno de entrada (1996–hoje)
Calibre 7S26 (1996): o "workhorse" que equipou o icônico SKX007 e boa parte do Seiko 5. 21 rubis, 21.600 vph, cerca de 40h de reserva — mas sem hacking e sem corda manual, sua principal limitação. Já foi descontinuado.
Linha 4R (4R35/4R36, a partir de 2011): evolução direta do 7S36 que finalmente trouxe hacking e corda manual. O 4R35 tem apenas data; o 4R36, dia e data. Tornou-se o novo padrão do Seiko 5 Sports e dos Presage de entrada.
NH35/NH36: essencialmente os mesmos calibres 4R35/4R36, mas vendidos sem a marca Seiko para outros fabricantes — hoje o movimento mais usado no universo do modding de relógios.
Faixa intermediária e alta (2005–hoje)
Calibre 6R15 (2005): evolução do 7S26 voltada para modelos de gama média-alta, como o Alpinist, SARB e Presage. Passou por quatro revisões (A a D) até 2017.
Calibre 6R35 (2019): sucessor do 6R15, com 70 horas de reserva de marcha (quase o dobro do 6R15) e amplitude bem mais estável. Equipa o Prospex atual, como o SPB143 e o SPB185.
Calibre 8L35: um "primo" muito próximo do 9S55 de Grand Seiko, considerado um dos melhores automáticos "não-GS" da marca, usado no Prospex Marinemaster.
Linha 5R (5R65/5R66): traz indicador de reserva de marcha e complicações "open heart" na linha Presage; o 5R66 adiciona função GMT.
O topo de linha: Grand Seiko (1998–hoje)
Calibre 9S (1998): nasce a série mecânica própria da Grand Seiko — 28.800 vph, 50h de reserva e precisão de +5/-3 segundos por dia, superando até o padrão COSC suíço.
Calibre 9S65/9S67 (2006/2010): upgrade com 72 horas de reserva de marcha (3 dias completos).
Calibre 9S85 (2009): nova geração hi-beat, batendo a 36.000 vph (10 batidas por segundo), com liga SPRON de maior resistência magnética e a impactos.
Calibre 9S86 (2014): o 9S85 com função GMT.
Calibre 9SA5 (2020): a geração mais recente, com um escapamento de "impulso duplo" desenvolvido internamente, 80 horas de reserva de marcha e maior eficiência energética.
Spring Drive: o híbrido que só a Seiko tem
Lançada em 1999 após mais de 20 anos de desenvolvimento, a tecnologia Spring Drive combina uma mola mecânica tradicional com um "volante deslizante" regulado por quartzo — o resultado é um ponteiro de segundos que desliza suavemente (sem o "tique-taque" mecânico) e uma precisão de cerca de ±1 segundo por dia, muito acima de qualquer automático convencional.
Calibre 9R65 (2004): primeira versão exclusiva da Grand Seiko, com 72h de reserva.
Calibre 9R66 (2005): a mesma base, agora com função GMT.
Calibre 9RA5 (2020): geração mais nova, contemporânea ao 9SA5, com reserva de marcha ainda maior e menor consumo de energia no sistema de regulação por quartzo.
Após a análise de desenvolvimento da Seiko, me diga. A marca vale o valor que pede? Em alguma faixa especifica ou todas as faixas?

Excelente conteúdo. Parabéns e muito obrigado por partilhar seu conhecimento.